O blog funciona como uma plataforma onde é possível encontrar várias informações extras para treino e desenvolvimento no seu caminho no Budo Taijutsu. Por ser o primeiro blog de língua portuguesa de conteúdo aberto (considerando as diversas opiniões e experiências independente de facções, opiniões e interesses específicos do autor) o foco aqui é sempre fornecer constante acesso a informação sobre Budo Taijutsu e assuntos relacionados, considerando o máximo de aderência aos ensinamentos da arte pelo atual Soke. Blogs tem uma vantagem natural em relação ao livros, eles permitem evolução constante do pensamento, constante melhora.

Os livros são fixos e mesmo que algo mude ao longo do tempo só se reflete em uma nova edição ou um segundo volume, depois de escritos e divulgados, permanecem mudando apenas na interpretação do leitor (com o tempo). Então, o blog também é tira proveito nesse sentido. É tão vivo quanto a arte que estudamos. Dessa forma, é provável que os leitores de nosso blog não se sintam surpreendidos quando publicamos posts de tradução com autores de opinião diametralmente opostas. É normal para nós estudarmos diferentes ângulos/perspectivas.

Os blogs também permitem a adição de comentários, onde a conversa entre o autor/tradutor e o leitor (a) é possível, também lhe convido a compartilhar sua visão conosco nos comentários. Se for foco for acrescentar informação e ajudar ainda mais os buyus, por quê não?

Budo Taijutsu

Esse post é sobre uma dica importante na minha visão. As palavras tem um sentido que nós damos a elas (autores e emissores de mensagem). Dependendo da experiência que o leitor (a) tem, nossas palavras podem ganhar novos significados, mesmo aqueles que não esperamos. O mesmo acontecem com as palavras do Soke, Dai Shihan e instrutores (as) pelo mundo. Na minha visão, e peço que os nossos alunos reflitam sobre, se não tentarmos entender o instrutor que está nos ensinando no momento (seminário, dojo etc), as palavras deles podem nos levar a compreender assim coisas de forma genérica, superficial e diametralmente oposta ao objetivo do mesmo.

A questão aqui, é o seguinte, temos a tendência de achar que se ouvimos algo do instrutor (a) (Soke, Dai Shihan ou que for) é um ensinamento geral e não para aquele momento ou situação em específico. Generalizamos as coisas. Pior do que isso, podemos pensar que o instrutor (Soke, Dai Shihan ou o que for) generaliza da mesma forma. Podemos colocar nossa fala como:

•”Hatsumi Sensei ‘sempre’ fez isso, isso e aquilo…”

ou

•”Hatsumi Sensei ‘nunca’ fez isso, isso e aquilo…”

Pare para pensar um minuto, isto é importante. Se for casado, tem uma esposa/marido, talvez a pessoa mais próxima de você. Digo, até nos momentos mais embaraçosos. Em teoria, é a pessoa que melhor o (a) conhece. Ainda assim, o que sua esposa/marido fala de você não é bem o que você pensa ou sente, por mais que, em teoria, ela/ele tenha uma visão bem próxima para falar sobre. Agora, imagine se você for um estudante, morando longe, indo de tempos em tempos ao instrutor (Soke, Dai Shihan ou quem for), será que se dissesse “sempre” e “nunca” sobre o instrutor (a) estaria bem fundamentado (a)?

Cuidado com os “sempre” e “nunca” em Budo Taijutsu. Na verdade, não é só por isso. Pense em uma arte que vive de acordo com o fluxo e, por consequência, muda constantemente. Como pode conceber um “sempre” e “nunca” neste cenário? Isso me lembra um vídeo do Kacem, muito interessante (espero traduzir em algum momento ou que alguém o faça). Não lembro exatamente as palavras, mas algo como “o que o Soke quer é o que o Soke quer, o que você quer é o que você quer, o que o Soke quer não necessariamente é o que você quer…”, em um tom do tipo “não fale pelo Soke”. Acredito que seja bem maduro olhar para o que pensamos exatamente como o que pensamos, e não exatamente como o que o Soke pensa, pois é o que realmente ocorre.

Então, não pense como “certo” e “errado” é apenas uma dica. Cuidado com os “sempre” e “nunca” em Budo Taijutsu, onde eles estiverem, tem um risco enorme de generalização de um conceito que pode não fazer sentido ou ser real em alguns contextos. Quer outro exemplo? Nós generalizamos pessoas também. Se tivermos um problema com alguém no passado, logo achamos que a pessoa sempre foi e sempre será dessa forma. Como se nunca mudassem ou algo do tipo. É como se tirássemos uma foto e disséssemos que aquilo é o real no mundo do “sempre” e “nunca”. Pessoas mudam, envelhecem, a foto já não diz muita coisa sobre a pessoa atualmente. Portanto, tenha cuidado com os “sempre” e “nunca”, “sempre” e “nunca” sobre o Soke, os Dai Shihan, instrutores (as), enfim, todos.

O que você pensa é o que você pensa, o que eu penso é o que eu penso, o que você pensa do que eu digo ou penso, não é o que eu digo ou penso, é o que você entende do que eu digo. O que eu penso não é o que o Soke pensa, assim como seu instrutor (a). O que eu penso do que ele pensa ou diz, é o que penso, da mesma forma que seu instrutor (a). Não misture as bolas.

Pintura

武風一貫
(mantenha-se consistente no método)

Pedro Henrique
2015

Advertisements