Inyo
Inyo

Na forma de pensar do Japonês não existe essa dualidade ou paradoxo entre “físico” e espiritual, como pensamos no ocidente. Não tem como imaginar “físico” ou “forma” e “técnica” como algo separado do espiritual. Existe apenas espiritual e o “físico” (e a física) é parte do mesmo (não algo separado ou oposto). A separação é apenas lógica (mental), causada pela percepção de tempo, espaço e movimento (contexto) para nós que dependemos destes fatores. Não existe paradoxo.

Hatsumi Sensei fala um pouco dessa separação “cabeça” e “corpo” que fazemos no ocidente no início do Ten Chi Jin Ryaku no Maki. A separação é apenas lógica para facilitar as coisas dentro das nossas limitações. Não confunda como: um anula o outro. Não há paradoxo ou contradição.

Também, assim como “estrutura” é diferente de “equilíbrio”, “forma” é diferente de “técnica”. Quando fazemos traduções temos que tomar uma série de cuidados, pois palavras genéricas tem gerado muitos problema ideológicos. A medida que vou estudando para as traduções vejo que muitas palavras podem ter induzido a erros de percepção. Certamente, não é sem motivo que Hatsumi Sensei troca os ideogramas e as palavras para explicar conceitos entre si relacionados.

Peixe Koi

Se tiver qualquer dúvida sobre quando usar “forma” e quando não, pode dar uma olhada neste post (clique aqui) que fica mais claro.  Mas isso me lembra um outro ponto, como estou estudando com vários professores, mais antigos e recentes, não somente em seminários (sim, há uma diferença enorme entre treinar com um (a)  professor (a) em um seminário e treinar com ele (a) em uma aula normal, o que é assunto para outro post), qual seria a diferença entre o “0″ (zero) e o “0″ (zero) após “1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9”? Seria bem interessante que expressasse sua opinião aqui.

Depois de passar no Sakki Test sob o Sakki do Nagato Dai Shihan, um certo tempo, é legal lembrar e compartilhar com os alunos. Na época, lembro do Hatsumi Sensei falando sobre o “0″ (zero) e Kacem traduzindo. Com essa oportunidade que tenho no momento, fico muito feliz e grato de poder coletar tantas histórias e experiências do mundo para poder perceber um pouco mais do que aconteceu durante as diferentes gerações de treinamento, as diferentes localidades. São inúmeras histórias.

“…
Oh! Sariputra!
Forma não é mais que vazio.
Vazio não é mais que forma.
Forma é exatamente vazio.
Vazio é exatamente forma.
…”

Trecho de tradução do Hannya Haramita Shingyo por Monja Coen
Fonte: http://www.monjacoen.com.br/textos/textos-tradicionais/155-maka-hannya-haramita-shingyo

武風一貫
(mantenha-se consistente no método)

Pedro Henrique
2015

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